segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Chegou o circo...


Um homem vai ao médico e fala que está deprimido. Diz qua a vida parece dura e cruel. Ele se sente só, num mundo ameaçador onde o futuro é vago e incerto.
O doutor diz: "O tratamento é simples. O grande palhaço Pagliacci está na cidade está noite. Vá ve-lo. Levantará o seu astral".
O homem começa a chorar e fala: "Mas doutor... eu sou Pagliacci".

A história acaba aqui. Mas se eu fosse o médico da história, minha resposta para Pagliacci seria:
"Ah, então assista a Propaganda Eleitoral Gratuita Brasileira, voce com certeza vai rir muito"
Mas se Pagliacci fosse brasileiro, eu não recomendaria isso. Capaz dele cometer suicídio.

Eu não queria escrever sobre isso. E eu continuo não querendo escrever sobre isso. Mas o que eu posso fazer? Vai continuar exatamente como está. Uma massa ignorante, conformada e cega, uma minoria que luta pelos seus direitos e que continuam gritando e gritando sabendo que nunca serão escutadas, e uma migalha de poderosos corruptos e (em sua grande maioria) egoístas que controlam as nossas vidas. Não vou falar de candidato nenhum, pois não votaria em nenhum deles. O grande dilema que atormenta minha vida no momento, é: Pagar multa de 5 reais, ou votar? A primeira opção ainda está na frente com 98% dos pontos. Não quero criticar governos passados, pois todos os governos tem seus pontos bons e seus pontos ruins. Alguns tem pontos ruins e pontos péssimos, mas a maioria teve pontos positivos para o Brasil.
Depois da Ditadura Militar, votar era um ato lindo. Era o ápice da democracia. Era o ato mais importante para a nação. Exercer cidadania. Ir la, e escolher (ESCOLHER) quem conduziria o povo brasileiro. Escolher as pessoas que criariam as leis do país. Leis essas que regem a nossa conduta. Leis que, segundo o direito, (to fazendo faculdade *-*) são normas de conduta que possibilitam a vida social. Escolher pessoas de caráter incorruptivel, que defenderiam com unhas e dentes os direitos do povo. Da coletividade. Que nos representaria perante as autoridades maximas do Estado, que nos representaria perante as autoridades maximas mundiais, que mostraria ao mundo como o Brasil é um país com povo feliz, que vive bem, e que tem seus direitos defendidos. Mas o tempo passa, as coisas mudam.
Hoje, votar significa perder a tarde de domingo pra ir "votar". Significa deixar de dormir até meio-dia pra eleger um bando de analfabetos interesseiros. É ficar assistindo propaganda eleitoral e rindo dos seres estranhos que aparecem. É receber e-mails da oposição difamando a concorrencia. É ver gente comendo gente por poder, por dinheiro, por status, por interesses próprios.
Acostumem-se brasileiros. Daqui pra frente será pior. Nossos candidatos serão frutas e comediantes. Animais domesticados dos grandes proprietarios. Nomes e mais nomes. Pessoas que sabem ler e escrever para criar as leis que voces seguirão. Pessoas que não sabem pronunciar nem o proprio nome para estruturar a eduação do seus filhos. Pessoas que não sabem quem é Machado de Assis para ditar as regras das Universidades Publicas. Seres que não sabem se manifestar para representar os seus interesses. Cãezinhos adestrados com opiniões formadas, embasadas em futilidades e desejos próprios que não serão capazes de mudar absolutamente nada. Fracos que aceitam ser larajas dos grandes ladrões, gente que perde tudo por aceitar continuar com seu carater moldado pela ignorancia. Pobres coitados, corruptíveis. Não sabem o que é política. Não sabem o que é poder. Não sabem o que vão fazer la. Vestir terno e gravata, sentar na sua mesa e assinar uma papelada que não sabe pra que serve.
A nossa política virou circo. Virou hortifrutigranjeiro. Virou prostíbulo. Um ninho de mafiosos. E o pior de tudo, não são eles. Somos nós. NÓS. Nós que incentivamos isso. Nós que preferimos votar em branco, nós que continuamos achando que vai continuar desse jeito. Nós que fazemos parte da minoria que grita com a boca fechada. Nós que reclamamos da comodidade dos pobres sem conhecimento, e não nos mobilizamos para ensina-los. Nós que olhamos para o Nordeste e sentimos pena daquelas pessoas que vendem seus votos por 100 reais do Bolsa Família, e não percebemos que nós vendemos nossos votos por menos 5 reais, pagando multa. Que nós vendemos nossos votos por justificativas banais, apenas por não acreditar que nosso voto é alguma coisa. Que nós podemos fazer alguma coisa.
Nossa parte da culpa é o motivo que forma os 2% dos pontos que me fazem querer votar. São 2% que me fazem querer sair de casa no domingo de manhã e votar. A unica coisa que faz a vontade de pagar a multa permanecer em 98%, é que, nenhum dos candidatos corresponde ao meu desejo de mudar alguma coisa nesse país. Nenhum deles corresponde a um carater decente. Mas 2% ja é alguma coisa. Acho que vou fazer igual todos os outros brasileiros: acreditar que esses 2% ja é um ótimo começo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário